quinta-feira, 12 de novembro de 2009

era uma vez


Era uma vez um menino, que tinha nascido ,num ninho de folhas e ramagem.... muito perto da copa das árvores.

A pelugem não era a suficiente, nem a destreza do baloiçar de ramo em ramo, era de alguma forma comparável, com aquela que os seus irmãos mais velhos ,usavam nos seus voos.

lactea era a primeira via de sustento, pouco a pouco vieram frutos e outras iguarias, que o sol na sua eterna bondade, a água na sua paciente queda e a terra na sua sossegada mutação, produziam no seu paraíso verde de azul e cinza coberto.

Já caminhava. No chão de folhas secas e formigas indiferentes ao seu olhar faminto, descobrira um brinquedo...

Era ,sem sabê-lo, um osso que podia até ser ,de um dos seus irmãos mais velhos.

Mas indiferente (porque inconsciente), brincava até sentir a fome ou o sono chamá-lo para a calmaria das copas, onde se juntava à sua velha mãe e a um céu de estrelas ...

que o impeliam para o sonho .

Mais tarde apreendera o voo.

Com o pelo já rijo, cortava o ar , desafiando aves .

Envaidecido pelos olhares atentos da sua jovem vizinha, exprerimentava as mais ousadas acrobacias...

colhendo frutos em pleno voo , e depositando-os ao alcançe de um braço; perto do olhar sequioso da sua bela admiradora.

Apaixonara-se.

Escolheu a mais macia das ramagens, as mais sedosas folhas, a mais altas das árvores...

e construi um ninho.

Já bailavam de ramo em ramo, numa salsa em valsa com cheiro a tango.

acabavam numa morna crescendo em batuque, no ninho , almofada de sonhos em vias lacteas sorridentes.

E não tardou , o céu o sol a chuva a terra a via láctea, viu sorrir um ser frágil e faminto por tudo que ainda não tinha visto,nem tão pouco sonhara.

abraço do vale

10 comentários:

Anónimo disse...

Amigo, tanto tardaste a trazeres a tua "VIA LÁCTEA"

Que linda a tua mensagem, parece uma princesa linda que ilumina esse vale

Força para ti aí no vale, meu amigo

Um abraço!

Lagartinha de Alhos Vedros

Lagartinha de Alhos Vedros

Ana Tapadas disse...

Que texto tão sensível e belo. Adorei lê-lo e ter-te de regresso.
bj

Meg disse...

Duarte,

Que grande ausência, meu caro!
E depois voltas com um poema tão belo!
Mas um pouco melancólico talvez,é o que sinto.

Espero que esteja tudo bem contigo.

Bom fim de semana.

Um abraço para o Vale

Zorze disse...

Duarte,

Se não era o Tarzan que descrevias, resulta nas tuas palavras uma beleza deveras sensível e bela, na sua essência interior de sentir a Vida.

Abraço,
Zorze

Lúcia disse...

Ó Duarte
Que bom ler isto... texto cheio de vida!
Olhos postos no futuro...
Parabéns! está lindo
Abraço da serra

utopia das palavras disse...

Não sei dizer da ternura, não sei descrever encanto, só sei rimar o carinho, com que construíste este ninho!

Delícia de conto, como se consegue escrever esperança de forma sublime!

Beijos do mar

Fernando Samuel disse...

Tal é a força - e a BELEZA! - do ciclo da vida...

Um abraço.

São disse...

Gostei do texto, mas gostei ainda mais de o ver de volta...esperando que não intervale tão longamente como agora o fez.

Um abraço.

Justine disse...

Encantador conto, que é bem mais que um conto!
(e gostei do nome dos teus gatos...)

mugabe disse...

Companheiro; que belos poemas, sensíveis e tocantes. Muito bom, parabens!

Abraço grande.