quinta-feira, 1 de outubro de 2009

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estou em pleno deserto de ideias...

sinto-me um grão de areia ,

nada livre,

no meio de uma praia solitária.

vi uma bela planta junto à janela ,

que não era minha...

era verde, era musa.

e na rua passam carros

com letras plageadas,

de umas músicas ligeiras

ou então aligeiradas.

a chuva teima em não cair...

e isso, sim, incomoda-me,

o chão seco já não chora

é tudo poeira...

os que há muito já não esperam

os que foram e recordamos

os que estão e vão partir

só meus olhos teimam em ver

com ardor e cansaço

vultos , sombras ou fantasmas.

que sentido dar a ausencias?

de que é feito uma ausencia?

de nada?

há presenças que nada são

quando ausentes

teimamos em não sentir...

questiono tudo que não sinto

já que o que sinto

nunca me questionou

apenas tomou lugar

por mim nunca concedido

apetece-me sentir nada.


abraço do vale




imagem oriunda de organismo.art.br

14 comentários:

Zorze disse...

Duarte,

Que belíssimo post!
Mas, os elogios são como tudo na vida, muitas vezes, um vazio e aí a contradição.
O meu é cheio de ar, do nada que não se vê, mas respira-se e daí permite a vida.

Não acredito no nada, pois nada não existe.
Digo-te que seja, talvez algo...
Mas, não há nada em nada, logo não existe.
Nem que seja um fiozinho de qualquer coisa, uma centelha ardente ou um pingo gélido.
E por vezes ao contrário e noutras tudo baralhado outra vez.

Abraço,
Zorze

Lúcia disse...

Duarte, sempre a palavra no sítio certo! Há quem diga: entre a dor e o nada, prefiro a dor. Mas, em certos cenários e sentires, estou como tu - o nada!
Abraço da serra

utopia das palavras disse...

Sentir nada
é audácia...
é uma janela enfeitada
com bolbos
verdes de acácia
esperando uma andorinha!

A intensidade do teu poema...calou-me!

Beijos

Justine disse...

Tempo de rescaldo? De decepção? De espera/esperança?
Abraço retribuído, esperando o inverno iluminado a fogo de lareira...

Meg disse...

Duarte,

Pois eu estou um pouco como tu... embora de férias agora, também me queixo...

a chuva teima em não cair...

e isso, sim, incomoda-me,

o chão seco já não chora

é tudo poeira...


Estou extremamente cansada... de tudo...

Bom fim de semana

Um abraço

Ana Camarra disse...

Duarte

irá chover
o mar chega sempre junto aos grãos de areia
o verde floresce

um abraço amigo

Cidadão do Mundo disse...

Companheiro Duarte.

Agradeço a visita e venho retribuir. Peço desculpa pela demora. Gostei muito da sua quinta.
Já agora, tenho um grande amigo da tropa aí de Bragança, chama-se Luis Lopes e é engenheiro de minas, não sei se o meu amigo conhece.

Grande abraço!

A CDU avança com toda a confiança

Ana Tapadas disse...

Só posso dizer:
adorei! Está excelente.
Abraço da planície

poesianopopular disse...

Duarte, amigo!

Nesta tua viagem
Ao fundo da consciência
Conseguiste ser ciência
Feita à tua imagem.

Abraço grande, aquí da Serra Mãe!

fotógrafa disse...

Olá Duarte, é sempre bom passar por cá...
estava com saudades...
vou voltando aos poucos, estive no tempo do posio...hibernei enquanto os outros estavam de férias...eu ando ao contrário, vou um dia destes de férias também...mas estando sempre por aqui.
abraço

São disse...

Hei, Duarte, ânimo!

E se está num deserto, não parece: o texto é de uma grande beleza...

Excelente semana.

São disse...

Esperava encontrar sinal de vida...

Tudo de bom.

duarte disse...

zorze
obrigado companheiro.
por vezes o vazio é necessário.
pode parecer covardia, mas quando apetece nada, é que o pouco que se sente incomoda muito.
abraço

lucia
as palavras certas vêm da serra, e ecoam pelo vale dentro.obrigado.
e sim, prefiro isso, nesta altura que a dor aperta.
abraço do vale

utopia das palavras
como gosto da forma que tens de te calar....:)
a tua resposta traz sempre o mar e um vento suâo...faltam só ninhos, onde poisar asas.
abraço para o teu mar

justine
apenas dor, que sinto pelos amigos e familiares. decepção? não ... as minhas convicções , ultrapassam as supostas más noticias.aliás , estamos a crescer.
abraço do vale (com a lenha pronta)

meg
a relva amotinada,
enraivecida
cobriu a poeira...
fez-se uma clareira.
de lágrimas secas
mas com os olhos húmidos,
a terra sorri num olhar,
como quem olha para um filho... acabado de nascer.
abraço grande do vale

ana camarra
vai chegando, devagar...
outro maior ainda
cidadão do mundo
obrigado. infelizmente não conheço. passei metade da minha vida em diversas viagens...só agora resolvi amanssar a minha alma cigana.
mas vou tentar descobrir.
abraço do vale

ana tapadas
obrigado.
tenho estado paradito(muitos afazeres), mas vou até aí, mal possa.
abraço do vale

zé! bom olhos te leiam!
ciência? tenho pouca.
agora, tu , amigo...
é outro história.
obrigado.
abraço camarada.

fotógrafa
pois... a menina tem estado como eu...paradita. enfim, cousas da vida. é sempre bom saber que não esqueçe. e ánimo nisso, que vamos refazer o mundo(ao mais não seja com um satcho...:))
abraço do vale

são
obrigado pelo elogio.
e sim estou vivo. mais do que nunca, apenas com muito trabalho e agora , com mais responsabilidades na minha freguesia,
abraço do vale

São disse...

Bom, valha-nos a consolação de saber que a freguesia está bem entregue...mas não nos deixe a nós ao desamparo!

Um bom fim de semana.