Era final de 2019 e celebrávamos mais um aniversário teu e um Natal.
O mundo fervilhava de inquietação com a pandemia. Por cá, as nossas preocupações, eram outras.
As suspeitas viriam a confirmar-se: enquanto uns fugiam das multidões , eu andava contigo para muitos locais na esperança de algum resultado e tratamento adequado para esse mal que te atingia.
Duas idas a Coimbra com a obrigatoriedade de permanecer no carro enquanto esperavas por uma cintigrafia que demoraria cerca de 8 horas.
Aguentaste no IPO de Coimbra esse tempo todo, enquanto te esperava no carro.
Foram os anos de pandemia que , a mim, pouco me custaram em termos de covid . Apenas tivemos cuidados redobrados e tentamos ficar em casa estanque, enquanto estavas mais vulnerável .
A pandemia apenas me levou algumas oportunidades de trabalho e trouxe de volta uma pessoa que tinha ficado isolada no seu canto, tal era o medo de todas as pessoas que a rodeavam (e o seu medo).
Desrespeitando a lei, iria buscá-la e depois de um confinamento de 15 dias na parte de baixo da casa, juntar-se-ia a nós.
Acabaria por me fazer companhia em muitas viagens e oferecer-nos guarida numa altura em que não podíamos contar com ninguém.
Fico-lhe grato por isso.
Não... não era a pandemia que nos preocupava. Essa passou e veio trazer mais um vírus que anda por aí.
Claro que havia o medo do desconhecido, claro.
Mas o medo do já conhecido mal, era maior.
Mas o medo do já conhecido mal, era maior.
Lembro-me de pegar no teu carro com 24 mil km...
um ano e meio depois e muitos exames, cirurgias e tratamentos, o teu carro já contava com cerca de 90 mil km. As viagens, entre Coimbra, Viseu, Porto, Gaia, Vila Real, Lisboa iam-se se somando.
No segundo ano, a notícia do triplo negativo, arrasou contigo.
No segundo ano, a notícia do triplo negativo, arrasou contigo.
Estávamos os dois no carro, choramos os dois, mas prometemos que iríamos lutar e que estaria SEMPRE contigo.
Aguentamos e fizemos a viagem de regresso à aldeia.
É verdade... acabei por não fazer nada de especial em termos de saídas, de viagens. Deixei essa parte para a mana grande com quem tinhas uma relação de proximidade maior, pois era uma " gaja" como tu dizias.
E não me importei nada.
E não me importei nada.
Voltaria a fazê-lo para poderes ir com a mana lugares diferentes. Esse sacrifício foi um sacrifício menor. Se eu gostaria de ter ido também?
Claro que gostaria, apesar do meu medo irracional de aviões.
Claro que gostaria!!!
Claro que gostaria!!!
Mas a ser assim, como era com a tua madrinha que tanto amavas?
A tua companheira de tantas conversas, a mana grande ?
Fiz o que pude e quis.
Fiz o que pude e quis.
E voltaria a fazer ... só que ... mais! muito mais!!!
Mantive o silêncio a cada reparo menos feliz, engolindo em seco. Deus é minha testemunha.
Amo-te para sempre, maninha.

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