domingo, 21 de março de 2010

dia do quê?!

Matei à machada a porra do poema

hoje não me apetece poesia, nem poetas, nem dias especiais

hoje apetece-me trucidar as palavras, fazer jorrar tinta pelos fonemas

mastigar papel , cuspí-lo na cara das canetas!

as onomatopeias provenientes da sodomia da mensagem

pelas mais selvagens imagens, sem metaforas à mistura

a produzirem cacofonia rasgando toda a aliteração...

encher o pleonasmo d' hiperbatos, nunca apontando para hiperbolas!

quero caos na métrica, quero rima remendada ou até mesmo rota .

quero que morram as ideias em partos prematuros.

abraço doutroeu

quinta-feira, 18 de março de 2010

futura viagem ao passado

mais uma viagem, n será a esperada, mas será certamente a necessária.
O meu regresso à cidade onde cirandei pela última vez com o meu grande amigo (e não menos grande cozinheiro) Henrique e o Zé cigano(nada cozinheiro, mas condutor hablidoso), será feito de sabor especial.
Ñão , não vai ser como da última vez em que saímos de Macedo de Cavaleiros às 4 da matina, todos menos sóbrios, que um alcoolico sem sindrome de abstinencia. Desta vez, porque já tive aquele ataque de juizo, vou como me tenho redesenhado: sóbrio.
Mas com saudade à loucura que esteve para acontecer e que não irá ter lugar. Coisas que a razão desconhece.
Irei ver a urbe, alguns amigos, e conterrâneos tb.
Olharei em direcção ao Gerês , onde repousam memórias de manhãs ensonadas, à beira d'agua. Recordarei o Rui zuco, e o pessoal do Alto da Maia. As viagens d'improviso ,com violas , vinho e traçadinhos ,de Braga ao gerês...
E desta vez, sim agora vou com outros propósitos.
Vou ver a cidade com um olhar maduro , apreciar o tecido humano que nela fervilha, se tiver tempo , disfrutarei dalguma das muitas ofertas culturais.
Voltarei mais rico.
Tal como enriquecido fiquei ao saber, que esta iria ser uma viagem, diferente daquela que préviamente combinara.
Irei, como combinado, em direcção a Ponte de Lima, onde irei encontrar-me com outros conterrâneos.
Irei ver os cavalos velhos, presos numa amalgama de ferro...
soltá-los-ei , e,
cavalgaremos até ao vale, sem descanso, sem nunca olhar para trás.
Deixando as recordações, tomar o seu velho caminho.
Quantas saudades tenho, do que ainda não vi !

abraço do vale

quarta-feira, 17 de março de 2010

colheita do povo



Um sol primaveril

Com manhãs d'inverno...

Flores que temem

Em fechar sorrisos.

A recolta do pólen

Não tem sido profícua!

As abelhas dormem...


Um chão de erva

Grassa , daninha...

Lavoiras que pedem

Terra revolta

Arados tratores

Rasgando raízes.

E a chuva... espera...


Nos frutos prometidos

Mora a esperança

Das bolsas feridas

De tão pouca bonança.

Talvez um dia possamos

Ir colhendo e saciando

Um povo sem "amos" !!!


abraço do vale


imagem tirada de mediamoc.com(artbalanca/colheita do povo)

segunda-feira, 15 de março de 2010

um silencio que me doi

lembro-me do som da tua voz
quando cantavas com a avó
minha mãe seguia ,as irmãs também
naquela igreja onde os ecos
não são infinitos,
mas ouço a tua voz
aquela voz que me convençeu
da primeira vez que aquela senhora
de agulha em riste
me queria picar o rabo
e lembro as gargalhadas
ao lembrarem a minha reacção menina
contando:"-picou-te o rabo e tu disseste: puta do caralho!!!"
era bom rir contigo.
aquele núcleo familiar, que se reunia em tua casa, irmãos emigrados da fome
como era bom saciar aquelas crianças que te rodeavam
e com que sabedoria o fazias, era paciência de quem é feito de bondade.
já no bairro dos indios
onde passava as minhas férias, matava a saudade
descobriamos a fragada, caímos no cruzeiro ,
trepavamos às àrvores
faziamos "vinho da amora silvestre",
que acabava numa valente diarreia
lembro-me...
aquela fogueira do natal, em que eu ,
curioso como era
quis ver a lenha e só vi o taipal...
acordei muito depois e estavas lá
a confortar a minha mãe e a olhar por mim,
tal como sempre o fizeste
sem nada mais pedir em troca ,
como sempre te mantiveste...
o meu rebento teve direito a essa tua mão zeladora,
incansável na ternura...
hoje brilha uma estrela,
está junta de outra
que a memória dos cheiros não apagou.

a ti. com toda a ternura.

terça-feira, 9 de março de 2010

ENTIERRO DE LAS VOLUNTADES



Neste domingo passado, eu a amaterasu e o leandro partimos para uma viagem. a minha bagagem era a pele de um ceginho , uma viola ,merenda (que entretanto ficára esquecida , em torre de moncorvo), o meu telemóvel (que veio a revelar-se tão inútil quanto os demais existentes).



Acompanhado pela amizade dos meus companheiros, ria-me com a minha amaterasu de desgraçadinha pintada. o leandro deitando um olhar paciente e preocupado nos seus dois actores ,virou-se para os céus cinzentos,protestando de tanta chuva e.... tanta loucura a resvalarar dos risos estridentes, do ceginho e da desgraçadinha.






O condutor, carlos d' abreu ( um homem empenhadíssimo na divulgação do património raiano e transmontano, douro incluido), ía falando dos pormenores arquitecturais e paisagístico do percurso, envolvendo história pelo meio.


Barca d'alva.
Chuvicos e chuva alternando com muito nublado. O caminho de ferro ,encerrado faz vinte e cinco anos, olhava triste para as águas do douro amarelado. A festa transfronteiriça da amendoeira em flor ,este ano , coincidiu com a inauguração de uma escultura simbolizando o enterro das vontades gorvenamentais, quanto à reabertura deste máginfico troço de engenheiria ferróviaria, que partia do Porto e seguia até la Fuente San Esteban.






a transfonteiriça ponte ferroviaria , galga o rio Águeda na sua foz, acabando por morrer em espanha ,com o pomposo adjectivo de património de interesse turístico (pois em portugal está morto e nem estatuto de património tem), a uns metros de um túnel, de onde ecoam memórias do passado.
















Após uma atribulada actuação, em que o cêginho foi obrigado a fazer parar o transito , já que a desgraçadinha esperava um comboio que tardava em chegar e ia-se esqueçendo de pegar no cêginho e desviá-lo para a berma do caminho, em que o pobre tocador ia parando ao douro de tão desorientado que andava(não fosse ele cego e coxo); lá foram todos para o topo da arriba, ampanrando um senhor com 70 anos uma perna partida outra inflamada , e o cansaço natural que estas coisas provocam.




Farnel.

uma mesa bem composta , vinho português e espanhol , pão , muito peguilho, menos o nosso....claro. E eu com um ataque de fúria. Lá se compôs a coisa, tocamos umas musiquetas cantamos em espanhol, português e françês e lá fomos conversando. Gente interessante, fotógrafos a tirar umas a uma distancia respeitável e outro a capturar-me na caixinha mágica, mais vezes do que alguma vez o fizeram em toda a minha vidinha.




A minha viola , prostituida , foi parar às mãos de um castelhano(com a minha autorização, não fosse eu chulo dela) , e passado 10 min o castelhano: "- rompi un mi-".....




fumo a saír da minha locomotora...calma duarte, calma.... peguei no profanado instrumento, orfão de algum aço , tal como a triste linha que muitas viagens cantou; e pendurei-a para um breve descanso. não tardou desenterrei a minha vontade e alegremente, lá se animaram as hostes.




Partimos para o encerramento de a exposição patente em Barca de Alva .

Uns pela linha acima, em direcção à abandonada estação, outros de automóvel( o meu amigo dramaturgo de 70 anos, eu a amaterasu, o carlos ,a mulher o visconde- que entretanto tinha antipatizado com a viola, dando lhe umas valentes ladradelas). continuava o céu cinzento.




A exposição " La Raia rota" de Vitorino Garcia , teve honra de banda e de uns passos de dança do ceginho acompanhado pela sua desgraçadinha( que entretanto se ria com o rosto camuflado no peito do coxo cego), presa entre ele e a viola.



em primeiro plano vitorino


Acabada a banda lá foi a desgraçadinha ver a esposição, acompanhada do seu ceginho(que lhe pediu para descrever a textura das imagens que ele nunca vira e que muitos esqueceram), com a esperança de poder cantar mais uma vez, e sacar uns vintéms para o pão. nada feito. depois do discurso que o cego ouviu e a desgraçadinha (cansada e trêmula) digeriu, saíram.


Já no café do xico, os dois perguntaram se podiam tocar e cantar, e despejaram as desgraças recolhendo as não menos desgraçadas esmolas. 1h40 min depois , a amaterasu e o duartenovale , tinham poisado a máscara. O comboio não passara, a eva tinha saido e uns ventos vadios invadiram a alma do biolas. Raiva contida.


e assim descarrilados nas vontades enterradas fomos para o vale.


obrigado xaina, leandro vale, carlos d'abreu(e sua filha pela gentileza), e obrigado companheiros por este momento chuvoso mas frutífero.


abraço do vale

fotos de Daniel Gil

para mais informações, consultar http://www.contrabando.org/

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Vultos in temporais

cortinas de espuma barria

arrastam o mais leve sonho

atirando ao mar bravio

crianças feitas homems



ribeiros choram casas

riachos cospem carros

a montanha desceu a praia

a cidade pintou-se de lama.


na madeira um jardim

virou entulho e carne

dinheiros que por fim

não serviram para nada.


nos bolsos de quem o teve

apressadamante planeou

território ordenou

e quem pobre era, se manteve.


quem nada tem perda a vida

quem pouco tem tudo perde

quem muito tem pobre fica

pois quem tem tudo, de nada serve.


como disse o caetano

que "o Haiti é aqui"

também digo(e não me engano)

"e agora, que não há aqui?"


globalmalmente enganados

à merçê de tempos bravios

de que nos vale o fado?

de que nos vale os gritos?


poder é : termos o direito à partilha


termos direito a ter direitos

neste continente feito de ilhas


com gente que o poder fez.




abraço do vale , triste e solidário.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

PARECE QUE FOI ONTEM

naquele dia que nos levou até hoje

desenhaste as estradas

com cantos de liberdade

silencios morrem ao som que é eco

da tua alma em nós plantada

esquecer? como?

se somos fruto da mesma árvore!

que toquem alto a nossa liberdade

pois ,gente surda, teima em não ouvir

o voo ao vento das asas dos teus versos.

..............no vale ainda se canta.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

janela aberta com persiana corrida

quando as tuas tardes são minhas manhãs, pinto girasois na tua janela virada para um futuro possível...
quando no alto do teu castelo, princesa, apelas, respondo com o mais sonoro sorriso e o mais envolvente abraço...
mas quando em ti nada mais existe, senão ganancia ausencia de dor e tristeza, nada tens , pois não estou para quem nada espera.
fiz uma chama na lareira do teu pensamento, penso eu
será preciso alimentar esse fogo que tarda em consumir-te?
que máscara terei eu de esculpir na pedra dos teus sonhos?
uma máscara cristalina , opaca ou espelhada?
em contornos que não defino, encaminho meus dedos na cegueira de dizer-te...
e não te digo, pois ainda não chegaste.
cansado da longa estrada sem linhas e entrelinhas, entorno a tinta seca no caderno dos teus olhos... é vento que te ofereço.
pois de mim, nada... apenas sombras de corpo ausente.
para ti que te queres cativa, não serei horizonte...
ainda assim ,atiro meu abraço ao vento suão, sem esperar nada mais senão, teu peito vivo do pulsar que em ti espero.
até qualquer dia.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

REVOLTA NO CIBERESPAÇO

CULPABILIZAM-ME ASSIM
DE Q'RER MUNDOS SÓ PRA MIM
QUERO SÓ PENSAR POR MIM
NÃO SOU DE TI,NEM DE UM LINK,
QUE PODES AGRAFAR
COPIAR OU COLAR
SEU CORPO ARRASTAR
KAPAS EM PASTAS EDITAR...
A PALAVRA PENSADA ESCRITA
NÃO É OUVIDA,
POR MUITO QU'ENCAMINHES
DE FORMA REPETIDA,
SÃO SUSSURROS SEM ECOS
NA RUA ONDE CRESCE
O VAZIO DO VOO DAS PEDRAS
QU' EM MÃOS AMACIADAS
DAS TECLAS OU TECLADOS
ESQUECEM A FIRMEZA
QUE É NOSSA NATUREZA.
NO MEU CPU AVARIADO,
O RATO ROEU PLACA GRÁFICA
MOTHER BORDER! OU FUCKER!
NÃO VEJO IF I SCAN
AS POLEGADAS ESTÃO MINADAS
SÃO INCH À LA MANIERE
DE VER TUDO À L'ENVERS...

abraço do vale

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

PARAR PARA PENSAR


parar para pensar... às vezes é melhor ir andando e pensar um pouco!

mete-me confusão determinadas expressões. se parar é morrer... será que há vida depois da morte? deve haver alguma coisa, menos pensamentos post-mortem!!!

eu sei, existem diversos tipo de morte... mas eu prefiro ir andando,já que morrer é a única certeza que temos( juntamente com as certezas de termos nascido, comido, mijado, cagado, estudado, feito amor, e outras merdas que agora não me lembro....).

Pois sigo o meu caminho , aos tropeções , meio atarantado com as cabeçadas que já dei, encontrando outros caminhos (uns mais sinuosos, outros menos), apreciando a paisagem enquanto o tempo(que não para) me deixa... fazê-lo.

Quem corre por gosto não cansa! eu cá prefiro a marcha! cansa menos. dois passos pra frente, um para trás.......... e se fosse um de cada vez?! é menos confuso, mais natural... e não fico com ar de bailarino!!!

Tenho tido um gosto especial por dias longos, sujeito a coisas antagónicas: estar no campo com toda a simplicidade da terra , a pedir mãos para quem a quer fértil... e de seguida estar no meio de gente quão diferente, tanto as nuances que delas emanam, ver e ouvir, questionando ou não. estar no café com pessoas de bons costumes e moralmente integradas e de seguida conviver com a mais normal meretriz.

Dias desses fazem-me sentir a pedra da calçada ou o asfalto quente ou então a poeira do caminho ou ainda a lama nos sapatos... ou até tudo isso ao mesmo tempo.

Dias normais? não , obrigado! quero sentir na anormalidade , o nascimento da questão... ou então não questionar , apenas observar e digerir pensando.

Tenho dias , que se vão fazendo mornos... almofadados... e isso sim, aborrece-me.


abraço do vale

domingo, 24 de janeiro de 2010

enfrentei tua sombra despida

jazia num passeio poisada

ao lado de um brilho...

era minha mão armada

que te quis sombra nua.

bailei louco sob os silvos

da metralha dos olhares

em teu fogo consumado

construí um abrigo....

e em cinza , petrifico-me.

do vale até montanha

passei pela face oculta da lua

fui sombra na sombra

nunca nu , mas despido

do manto velho que me deram.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

eram ondas do mar
enroladas nos teus braços,
desviando meu olhar
na viagem em teu regaço.
com passos de gata
frágil t'esgueiravas
como a brisa vádia...
numa manhã que sorria
que te olhava e se abria...
eras aquela
que eu chamava baixinho,
quando nos meus pensamentos
tu vinhas de mansinho...
acordando verdes musas
caem versos nest'alvura,
que de pele e candura
aconchegam meu ninho.
quem te viu n'areia
de uma praia lusitana,
canta devaneia
constroi sonhos sem tormentos...
quem te não viu sereia
sentiu canções e fados,
em solos fugidios...
numa manhã que sorria
que te olhava e se abria....
abraço deste vale

este "textito" foi escrito para uma composição musical de filipe e vítor Rebolho.
nota: na canção, "aquela" é substituida por amália.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

amanhecer

chove... nada tenho senão nuvens
poiso olhares em almofadas cinzentas
e de alma lavada , nasçi outro... outro eu
da preocupação pela mudança
do que teima em não mudar
passei à mudança dos passos
que dou sem voar, com sonhos
feitos à medida do ser que construo.
não tombei... apenas deixei
o brilho ofuscante de mil e uma estrelas
sonhar galáxias, enquanto digeria meu planeta inventado.
não fui o que esperei? também o não foram... apesar de esperar.
esperaram mais ? nada pude dar... pois nada senti
nem tive o direito de ser assistido , quando o pedi.
falhei? pois talvez tenha reagido por simpatia...
e por quem não veio, esperaram.
nunca tive jeito para ser humano, muito menos para ser estatística!
tenho sempre cravado em mim
o sorriso de infindáveis amizades, onde a palavra fraternidade,
teima em ser esquecida... e esqueço, lembrando-me mais tarde
ou tarde demais. não contarei mais com quem me quer
um mero número inscrito, no meio de tantos outros... que se cansam.
contarei, isso sim, com quem me quer em caminhadas
ombreando realidades com utopias no limiar do nosso olhar.
abraço do outroeu

domingo, 10 de janeiro de 2010

ocaso

acabou.
esta máscara está gasta
no baú das recordações
nada...
silenciosamente saio de cena
com a sensação de que valia a pena
com a certeza de que não fui chamado
confirmando a condição de seres humanos
arrepeso do que não fiz
deixo quem promete e quem me dá
mas também deixo quem nada fez
para que fosse possível sermos
uma irmandade coesa.
não tenho pena de quem foi fachada
pois essa condição manter-se-há,
faça o que faça , não passo de um número de acrobacia
conseguindo chegar ao lusco-fusco antes do estertor.
obrigado para quem cá passou,
obrigado para quem se lembrou
e depois esqueçeu,
obrigado para quem merece.
adeus.
abraço do vale

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

silencios

Deveria dizer-te:
amo os teus silencios
quando teu corpo sorri.
ouviria teu pulso
em chamas morrendo...
mas mordo os lábios
na lingua solta
hífen do teu grito
na minha palavra muda....

abraço do vale

sábado, 12 de dezembro de 2009

BECO SEM SAÍDA

Tenho-me sentido assim, encurralado entre muitas coisas, com a falta de luz ao fundo de um túnel. Deambulo pelas poucas valencias que o tempo se encarregou de me trazer, e nada... só a porra do vazio. Arrefeço (voluntáriamente) sentimentos doces, como que num impeto de masoquismo, ou pela falta de consciência do que é sentir doçuras ou então por covardia de perder o que não se tem.
Depois vêm as máscaras, uso uma e outra até exhaustão. à noite tento esqueçer-me , e revolvo revolto o que resta da minha sombra... só no espelho encontro esse meu ser. mas estilhaço o reflexo, perdendo-me em nevoeiros repletos de mim mesmo... tentando encontrar o brilho rasgado de um olhar perdido.
Sou táctil, vejo com a pele... mas a pele esqueçe.
um rio de sangue cansado , corre-me pelas rugas, sem nunca secar....devagar vou.
Já sinto a saudade dos outros, mas nunca de outros tempos. Sempre do tempo que é presente ausente de algum futuro( um futuro que eu imaginei, ou que me contaram).
Acredito nos meus passos, enquanto os der. Quando nos ouvidos deixar de sentir multidões de passos(tal como agora acontece), concentrar-me-hei no ruido de um caminho acompanhado de um pulsar latejando e fustiguando minhas têmporas.
Está frio. nem nas mais belas poesias encontro o descanso morno de um por-de-sol.
Este túnel que cavei é longo. E o cansaço é persistente...
Hei-de parar. Onde? não sei. quando o sol secar o sangue , talvez.
abraço do vale

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A MINHA MUSICA


tenho nas cordas suspensas
dedos perdidos dos passos incertos
cantam poemas
mas nem sempre os sinto
nem sempre sou sincero
por me perder em ti, esqueço-me

não me lembras o calor
nem tão pouco o frio
lembro-te apenas indiferente
lembro-te melodia fugidia
lembro-te palavra sussurrada
contra o vento vadio

esgueira-se pela brecha aberta
teu tempo teu ser em teu corpo suado
mantenho nas mão cerradas
o meu sopro caricia fado interno
neste morno lume vou ardendo inquieto
ser de ninguem é ser teu em ti renascido.

abraço do vale(já sem febre) imagem tirada de diariopoetico.weblog.com.pt

terça-feira, 24 de novembro de 2009

FÚRIA DE NADA QUERER

UM BATER DE PORTAS ECOA DEBAIXO DOS MEUS PUNHOS ENRAIVECIDOS...
SUICIDO O HORIZONTE, RASGANDO À DENTADA A CARNE PROMETIDA.
NUM FUMEGANTE BAHAUS ARDEM OS MAIS DESPIDOS SONHOS
FLAGELAM O TRIGO, NUM NEGAR CONSTANTE DE PÃO
CATAPULTO MEU CORPO ESQUECENDO DE QUE ALMA SOU FEITO
CRENÇAS E MITOLOGIAS ESPELHAM-SE EM VÍS METAIS
SEMI CERRO OS DENTES ,APELANDO AO DIABO OU A DEUS
OU À PUTA QUE NOS HÁ DE PARIR, SIM... MAS MORTOS!
DA CIVILIZAÇÃO RESTA A IGNORANCIA
DO HOMINIDEO NEM ÁRVORES HÃO-DE SOBRAR
JÁ QUE NA CINZA , JAZ NINHOS ESVENTRADOS, ORFÃOS DE AMOR.
ESTOU AUSENTE, NESTA PRESENÇA QUE ME QUER VIVO
FEBRIL ,ESCAMOTEIO EM RENDILHADOS ,A RAZÃO ...
DO SUPER EGO RESTA A ANTITESE DE SER.

no vale há um abraço

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A TI

o palco chora

este vazio que o fere

como um cair de pano

em sala muda

ecoa inundado

por uma vida eterna

em memórias de quem quer

transformar o mundo.


não me cruzei contigo

mas ficou gravada

A menina Júlia

Obra levada aos meus sentidos ávidos

por uma visão de quem pode,

Transportar mensagens,

Abalar consciências,

despertar ciências...

sabe-me , agora, a pouco...

resta-me a sensação

de que serás sempre

UM HOMEM cuja obra ultrapassa

as escassas notícias de perda.

Pois assim seja!

que nada perdemos contigo!

apenas apreendemos que ganhar

é ser recordado...

Um Bem-Hajas Mario.


abraço do vale

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

era uma vez


Era uma vez um menino, que tinha nascido ,num ninho de folhas e ramagem.... muito perto da copa das árvores.

A pelugem não era a suficiente, nem a destreza do baloiçar de ramo em ramo, era de alguma forma comparável, com aquela que os seus irmãos mais velhos ,usavam nos seus voos.

lactea era a primeira via de sustento, pouco a pouco vieram frutos e outras iguarias, que o sol na sua eterna bondade, a água na sua paciente queda e a terra na sua sossegada mutação, produziam no seu paraíso verde de azul e cinza coberto.

Já caminhava. No chão de folhas secas e formigas indiferentes ao seu olhar faminto, descobrira um brinquedo...

Era ,sem sabê-lo, um osso que podia até ser ,de um dos seus irmãos mais velhos.

Mas indiferente (porque inconsciente), brincava até sentir a fome ou o sono chamá-lo para a calmaria das copas, onde se juntava à sua velha mãe e a um céu de estrelas ...

que o impeliam para o sonho .

Mais tarde apreendera o voo.

Com o pelo já rijo, cortava o ar , desafiando aves .

Envaidecido pelos olhares atentos da sua jovem vizinha, exprerimentava as mais ousadas acrobacias...

colhendo frutos em pleno voo , e depositando-os ao alcançe de um braço; perto do olhar sequioso da sua bela admiradora.

Apaixonara-se.

Escolheu a mais macia das ramagens, as mais sedosas folhas, a mais altas das árvores...

e construi um ninho.

Já bailavam de ramo em ramo, numa salsa em valsa com cheiro a tango.

acabavam numa morna crescendo em batuque, no ninho , almofada de sonhos em vias lacteas sorridentes.

E não tardou , o céu o sol a chuva a terra a via láctea, viu sorrir um ser frágil e faminto por tudo que ainda não tinha visto,nem tão pouco sonhara.

abraço do vale